segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Bem que podia ser a resposta do Durval às nossas dores.

Do outro lado...

Senhor agora que estou aqui deixa eu te perguntar....

Quando vim todos sorriam,
eu sem entender chorava.
Todos sabiam que meu tempo era curto,
por mais que eu vivesse, envelhecesse, era curto.

Jamais entendi,

A areia da ampulheta não parava,
nem pra mim, nem para os outros.
Cresci me diverti, da ampulheta esqueci.
Aqui, mesmo sendo passageiro, fiz moradia,
esqueci que a cada dia eu partia....

Jamais entendi,

Não sou daqui, e todos sabem que também não são.
Mas nos dias que se passavam, quantas raízes,
quanto apego..., que erro!!!

Aprendi que eu não era daqui,
mas a cada dia mais, daqui me sentia...
Então a ampulheta se esvaziou, toda areia se foi,
de repente o tempo passou.

Não morri, apenas parti.
Deixei de ser passageiro
acabou a viagem,
voltei para casa.
Então todos que sorriam quando nasci, choravam!!

Jamais entendi.

Aqui em casa, o tempo é diferente,
a ampulheta não tem areia,
não consigo contar, ver ou sentir o tempo passar.
Aqui é meu lugar, minha casa, meu lar,
de onde saí e finalmente voltei...,
da viagem... descansei.

Jamais entendi.

Mas lá todos choram,
mesmo sabendo pra onde parti.
Eles me ensinaram quando nasci,
para onde eu ia, e aqui espero por eles,
que também virão.

Jamais entendi.

Senhor te pergunto,
se a areia nas mãos não posso conter,
se tudo que vi e vivi foi pra vir até aqui,
e eles a areia também não podem conter
e me ensinaram que também virão.


Porque então
não sorriem em seus corações???
Pois se aqui preparo lhes, como irmão,
A festa que receberão.


Autor:
Oton C. M. Silva (cunhado do Durval)

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